Le Trappiste
Foto: divulgação / site oficial La Trappiste.
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Le Trappiste – De volta à Bruges Medieval

Depois de um longo dia turistando em Bruges, com direito, é claro, à visita e almoço na cervejaria De Halve Maan, era hora de descansar e relaxar com um happy hour belga. No cronograma estava previsto um bar com nome que lembra cerveja trapista e foi para lá que seguimos. A entrada do bar Le Trappiste era uma porta pequena e despretensiosa em um edifício aparentemente residencial, seguida de uma pequena escada. Fiquei em dúvida se estava no lugar certo, mas a curiosidade cervejeira me fez descer.

A escada nos levou a um grandioso porão com 800 anos de idade, paredes de pedras e aquele frio úmido característico. Toda essa atmosfera que me fez viajar no tempo estava harmonizando com uma decoração pra lá de belga. Bandeiras espalhadas e em todos os cantos alguma bugiganga das mais diversas cervejarias. Nas mesas, uma vela equilibrada em alguma garrafa vazia dava um ar ainda mais medieval. No tap, 25 torneiras do puro néctar de cervejarias renomadas e de algumas locais menos conhecidas, além de uma vasta carta com mais de 100 rótulos em garrafa.

Le Trappiste

Sempre que entro em um bar pela primeira vez gosto de me ambientar e observar como as coisas funcionam. Os pedidos estavam sendo feitos diretos no balcão e reparei que havia uma régua de tasting. Mas calma lá, essa era uma senhora régua: cinco lindas taças de 250 ml. Façamos as contas e teremos mais de 1 litro de cerveja. Sem hesitar, decidi que pediria este tasting. Mas como faz para decidir as cinco cervejas num universo de 25 torneiras? Le Trappiste

Não foi fácil, mas decidi que pediria duas clássicas e três cervejas da região que ainda não havia provado. As clássicas ficaram por conta da queridinha do elefante rosa, Delirium Tremens, e a famosa trapista La Trappe Blond. Já as até então desconhecidas foram a Abbot, uma tripel da cervejaria Van Steenberge (a mesma que faz a Piraat e Gulden Draak), a Troubadour Magma, uma belgian IPA da cervejaria The Musketeers – que o bar classificou como Double IPA, e a Brugge Tripel da cervejaria Palm, uma tripel clássica de Bruges, que leva na sua composição uma mistura de ervas chamada “Gruit”, que a transformam em uma cerveja realmente bem temperada. 

Um dos maiores prazeres nas viagens cervejeiras é respirar a atmosfera local e degustar cervejas da região. A combinação do porão com a tripel condimentada me fez, mais uma vez, voltar no tempo. Senti-me naquela Bruges da idade média, pólo comercial importantíssimo da Europa. Não fosse uma televisão próxima do bar, podia jurar que estava em outra época. Aproveitei a experiência para comparar as cinco cervejas e avaliar as diferentes notas sensoriais que cada uma trazia. Incrível como uma mesma escola cervejeira pode trazer ótimas cervejas do mesmo estilo e ainda assim bem diferentes.

Le Trappiste

Já era tarde da noite e, depois de tanta cerveja degustada ao longo do dia, era hora de seguir pelas pequenas ruelas de pouca luz e cercadas por fachadas de arquitetura medieval e voltar à nossa estalagem, quer dizer, ao nosso hotel. Bruges sempre me pareceu um sonho que se passa na idade média, mas com o conforto dos dias atuais. Depois daquela noite no Le Trappiste, fiquei com a sensação de que o sonho é realidade. 

Até a próxima. Santé!

Dobradinha Trappista – La Trappe e Achel

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Escrito por Enzo Molinari

Administrador de empresas e amante da cultura cervejeira. Homebrewer, beer sommelier e sócio-cervejeiro da Fanky Folks