Foto Clássica da Janela - Facebook Fantôme (1)
Fonte: Facebook Fantôme
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No coração da Bélgica! A cervejaria Fantôme e a receita de um homem só.

Fantôme é uma cerveja icônica. Conhecida por todo meio cervejeiro, é uma das principais e mais famosas cervejas do estilo Saison do mercado. E o mais interessante é sua receita, que além de secreta e muito cobiçada, só é conhecida por uma pessoa: o cervejeiro chefe da Fantôme, Dany Prignon. Conheça tudo sobre a cervejaria Fantôme e suas receitas únicas com a viagem do nosso Colunista, Enzo Molinari, até o interior da Bélgica, local onde reside a Brasserie Fantôme, um verdadeiro ícone do mundo cervejeiro!

O Bar da Fantôme

Saison Fantome e Winter Fantome

Quase todo cervejeiro já ouviu falar da Fantôme, uma pequena cervejaria que fica na estrada principal que corta o vilarejo de Soy, no interior da Bélgica. O que talvez não seja tão conhecido é todo o mistério que cada garrafa carrega. E foi cheio de esperanças e dúvidas que saí de Achouffe numa tarde congelante e segui para o bar da cervejaria. A ideia era tentar uma visita na hora, já que não conseguimos nos incluir em nenhum grupo maior previamente agendado.

Famosa por fazer apenas cervejas do estilo Saison e vender somente em garrafas rolhadas de 750 ml, a Fantôme tem praticamente um único funcionário: Dany Prignon que, por sinal, também é o mestre cervejeiro, criador e detentor de todas as receitas da cervejaria. Foi ele quem nos atendeu assim que chegamos ao bar. Um jovem senhor, simpático, mas de poucas palavras. Logo que chegamos, ele deixou a mesa com seus amigos e veio nos apresentar as duas cervejas que estavam disponíveis naquela semana: Winter – uma saison experimental de inverno – e a clássica Fantôme, carro chefe da casa. Pedi ambas! 

Apesar de ser pequeno e simplista, o espaço do bar é bem acolhedor. Além da mesa do Dany e seus amigos, mais duas mesas ocupadas por estrangeiros que também eram cervejeiros caseiros e entusiastas das raridades belgas. E aqui entra outra curiosidade: é mais fácil encontrar Fantôme fora da Bélgica do que lá dentro. Em todas as minhas peregrinações pelo país, nunca vi nenhuma garrafa para vender. Reza a lenda que 95% da produção são destinadas à exportação e os 5% restantes consumidos no bar da cervejaria.

O segredo da Fantôme Saison

Entrada da Fatôme
Fonte: Instagram Fantôme

O Sr. Prignon nos trouxe as cervejas e tentei um charme brasileiro para fazer uma visita à cervejaria, mas infelizmente somente para grupos maiores. Além disso, ele me explicou que a brassagem daquela semana já havia sido feita. Dany foi, na realidade, bem solícito em me explicar que faz praticamente tudo sozinho na sua produção semanal de 750 litros. Porém, quando entrei no assunto das receitas, ele foi categórico em assegurar que são secretas e contam com levedura especial da casa, além de especiarias e/ou frutas cuidadosamente selecionadas para cada leva produzida. Ele garantiu que só ele e ninguém mais que ele conhece as receitas. Tudo que conseguimos saber é que a cervejaria usa água da nascente local e tem caráter básico – o que não significa muito se ele tratar a água durante o processo de produção.

Então, te pergunto: você parou para pensar no perigo que a comunidade cervejeira corre com esse homem que não casou, não teve filhos e ainda não deixou essas receitas com ninguém? Se amanhã ele resolve parar de produzir, adeus Fantôme. Era só o que me preocupava enquanto reveza entre aquelas duas tulipas de cervejas secretas: a de inverno mais maltada e trazendo bastante caráter de especiarias e a clássica Saison, que é exemplo mundial do estilo e impossível de traduzir em palavras.

Não havia muito mais o que se fazer lá após degustar todas as duas cervejas disponíveis. E isso é cerveja artesanal – e local – de verdade. Se morasse lá, voltaria toda semana para tomar as duas cervejas frescas e disponíveis da ocasião.

E, sendo assim, fui embora dessa tão artesanal cervejaria, com a esperança de que alguém herde as receitas do Dany e mantenha vivo o fantasma que todos gostamos.

Santé!

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Escrito por Ana Paula Komar

Jornalista, apaixonada por história, curiosa por culturas e apreciadora de boas cervejas!