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Cervejas trapistas – uma tradição dos mosteiros

cervejas trapistas

O termo “ cervejas trapistas” não descreve um estilo ou algum tipo específico de cerveja, mas sim, se refere às cervejas produzidas em mosteiros da Ordem dos Cistercienses da Estrita Observância, uma congregação católica. Dos mais de 170 mosteiros de Ordem Trapista existentes no mundo, apenas 12 são autorizados a utilizar o selo de autenticidade trapista, que garante a origem monástica de sua produção. Para receber esta denominação, é preciso seguir estritamente a alguns critérios.

Cerveja especial belga – conheça essa ousada escola cervejeira

Primeiramente, as cervejas trapistas devem ser produzidas dentro do mosteiro trapista pelos próprios monges, ou sob a supervisão deles. Além disso, as práticas empresariais devem seguir o estilo de vida monástico e a cervejaria deve ter importância secundária no mosteiro, sem fins lucrativos. O lucro obtido pela venda das cervejas se destina às despesas de subsistência dos monges e manutenção das instalações, sendo todo o restante doado para caridade. Ou seja, são cervejas com um propósito social, fabricadas com rigorosos controles de qualidade.

Algumas dessas cervejarias são mais comerciais e possuem distribuição em diversos países, como a Chimay, a Westmalle e a La Trappe. Outras já produzem em menor escala e a venda é mais restrita, como é o caso da Westvleteren. Ela é considerada a cerveja mais rara do mundo, pois só pode ser comprada na loja anexa à Abadia de Saint-Sixtus, em Vleteren. Quando visitei, almocei no restaurante harmonizando com as cervejas e provei o emblemático sorvete com adição da Westvleteren 12. A Belgian Blond só podia ser degustada lá, tendo apenas a 8 e a 12 disponíveis para compra na loja, com um limite de 6 garrafas de cada por pessoa. Isso torna a experiência da visita tão desejada! Infelizmente não é possível adentrar no mosteiro, já que estes monges vivem enclausurados.

Apesar de apenas metade das cervejarias trapistas estarem localizadas na Bélgica, a maioria produz estilos de abadia, da escola belga: Single, Dubbel, Tripel, Blonde Ale, Strong Golden Ale, Strong Dark Ale e Belgian Pale Ale. São cervejas de alta fermentação, geralmente alcoólicas e adocicadas, marcadas pelas notas frutadas e condimentadas provenientes da levedura. Mas a Orval é exceção, uma Specialty Ale que se destaca pelo dry hopping e refermentação com Brettanomyces. Cada lote é uma experiência diferente, vale sempre revisitar o rótulo. 

Aliás, todas as cervejas trapistas valem a degustação mais de uma vez!

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Escrito por Érica Barbosa

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