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Meu destino cervejeiro: como conheci a trapista Chimay

As abadias e mosteiros trapistas produtores de cerveja são lugares fantásticos e de parada obrigatória para qualquer amante da cultura cervejeira. A história conta a importância dos monges para a cerveja: além de estudiosos e detentores de conhecimento, desenvolveram receitas e levaram a produção da cerveja para dentro dos mosteiros. Na baixa Idade Média havia receitas desenvolvidas para consumo rotineiro dos monges (Trappist Single – cujos barris eram marcados com um “x”), para o consumo em época de jejum (Dubbel – cujos barris eram marcados com dois “x”) e para servir aos visitantes (Tripel – cujos barris eram marcados com três “x”). Hoje vamos conhecer a trapista Chimay.

Era tarde de uma sexta-feira de sol e saímos de Achouffe, um vilarejo encantado onde nasceu a Brasserie d’Achouffe, rumo à cidade de Chimay. A paisagem durante todo o trajeto é magnífica. O caminho alternava entre fazendas e pequenas cidades que são verdadeiras viagens ao passado. As construções antigas de pedras, sempre muito bem conservadas, traziam ainda mais à tona o sentimento de viajante. Era final de junho e frequentemente éramos surpreendidos com plantações de lúpulo. Nesta viagem já tínhamos visitado a Orval e a Rochefort, e a energia desses lugares é indescritível. A ansiedade de chegar só aumentava.

Como é um mosteiro trapista?

Chegamos no fim da tarde, passamos em frente à pousada e fomos direto ao mosteiro. Estacionamos em frente à entrada, que é um corredor formado por árvores, totalmente convidativo. No fim estava a entrada da abadia: uma porta grande de madeira numa edificação de pedra. Não havia nenhum outro visitante. O silêncio reinava. Os únicos barulhos que ouvíamos eram nossos passos e, ao fundo, um ou outro pássaro cantava.

trapista Chimay

Entramos. Passamos por uma pequena sala que dava ao jardim. Ficamos longos minutos apreciando a beleza e a tranquilidade daquele lugar. Todo o jardim, as instalações e as construções eram muito bem cuidados e conservados. Fomos, então, conhecer a igreja, cuja entrada era pelo jardim. Assim que entramos ficamos arrepiados e uma sensação suprema de bem-estar nos tomou conta. A igreja é toda branca, sem decoração, mas com uma energia que nunca sentimos igual. Fizemos nossas orações em silêncio e voltamos ao jardim para as últimas fotos.

Já estávamos de saída quando o silêncio foi quebrado: um monge, que por sinal apareceu diversas vezes nas minhas pesquisas sobre a cervejaria, estava atravessando o jardim. Com um sorriso sereno no rosto, ele sugeriu: “gostaria de uma foto com um monge trapista? Era muita gentileza numa só pessoa. Os monges têm rotinas reclusas e não é nada comum os vermos entre os visitantes. Senti que a visita estava completa.

trapista Chimay

É hora de degustar as cervejas locais

Chegamos na pousada e fomos direto ao restaurante. O ambiente é muito aconchegante e acolhedor, como a maioria dos estabelecimentos belgas. Escolhemos uma mesa ao lado de uma antiga tina da cervejaria, com uma bela vista para os campos de plantações comuns na região. De início, pedimos a tábua de degustação com 4 queijos feitos pela própria abadia. Todos eles muito saborosos, com destaque inesquecível para o Grand Cru. Realmente único! E para acompanhar, pedimos o menu degustação das cervejas, composto pelos quatro rótulos da casa: Chimay Dorée (Patersbier – 4,8%), Chimay Rouge (Belgian Dubbel – 7,0%), Chimay Triple (Belgian Tripel – 8,0%) e Chimay Blue (Belgian Strong Dark Ale – 9,0%). A harmonização foi sensacional, vale muito!

trapista Chimay

Para o jantar, minha esposa pediu almôndegas ao molho de queijo Grand Cru (já falei que esse queijo é realmente especial?) e eu pedi um combinado: quiche de entrada, tradicional coelho ao molho da cerveja da casa e ameixas e, de sobremesa, zabaglione feito com a Chimay Blue. Sim, foi muita comida, mas valeu muito a pena.

Depois desse dia tão especial, foi só subir as escadas, entrar no quarto e dar de cara com um frigobar recheado de Chimay. Degustamos mais uma Chimay Tripel e fomos dormir. No dia seguinte, tomamos café da manhã (com mais queijo Grand Cru) e visitamos o Espace Chimay, anexo à pousada, que conta a história da cervejaria e fala sobre as outras cervejas trapistas e a vida no mosteiro. Na saída, lógico, passamos na Chimay Shop para comprar nossas sonhadas taças e garrafas direto da fonte. E, assim, partimos para o nosso próximo destino cervejeiro.

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Escrito por Enzo Molinari

Administrador de empresas e amante da cultura cervejeira. Homebrewer, BJCP Provisional Judge e beer sommelier.

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