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Cerveja Artesanal não é só IPA, conheça as Sour

As cervejas artesanais caíram do gosto do público. Entre as cervejas mais refrescantes, carbonatadas e lupuladas, as IPAs ganharam o mercado ocidental e são criadoras de diversos movimentos no mundo cervejeiro. Porém, além delas, outro estilo também versátil e cada vez mais explorado é o de cervejas Sour, que são excelentes portas de entrada para o mundo das cervejas especiais, especialmente para quem também aprecia vinho.

Além disso, as cervejas Sour  também harmonizam perfeitamente com vários tipos de comidas e nos ajudam a explicar que além de quilos de lúpulo a cerveja pode oferecer inúmeros aromas, sabores e sensações.

Embora as cervejas Sour tenham se tornado populares apenas recentemente, possivelmente elas sejam o que temos de mais próximo do que era a cerveja de centenas e centenas de anos atrás, já que a humanidade tem produzido cerveja a milênios, muito antes de Louis Pasteur estudar e entender o papel da levedura na fermentação.

Os tipos de cerveja Sour 

Podemos fazer uma analogia ao vinho com o estilo Sour, sugerindo que existem duas “escolas” distintas: 

  • As do Velho Mundo, que são as mais tradicionais em preparo, as quais fermentam espontaneamente com fermento selvagem e envelhecem em barris.
  • E as do Novo Mundo, onde temos um processo mais “rápido” de acidificação, conhecido como Kettle Sour. Estas cervejas não requerem tanto tempo quanto as fermentadas espontaneamente, porém isso não é demérito e não são menos delicadas que sua irmã mais velha. Nelas, a acidificação vem basicamente de lactobacilos – que são adicionados pelo cervejeiro antes da fervura do mosto. E a partir desta técnica que tivemos o início de um estilo idealizado aqui, a Catharina Sour, apesar de alguns torcerem o nariz para ela, é uma realidade e que está trazendo ótimos exemplares. Uma das principais características do estilo é a adição de frutas, o que alivia a acidez, agrega complexidade e deixa a cerveja com alto drinkability, ideal para nosso clima tropical.

Obviamente não podemos esquecer as Sours do Velho Mundo, afinal são verdadeiras joias do mundo da cerveja, com técnicas precisas e centenárias na fabricação, algumas fermentadas por uma série de organismos, principalmente, bactérias na brisa da noite ou daquelas que vivem em velhas barricas de madeira, estas só são despertadas quando recebem o mosto que encontra um lugar de “descanso” por meses ou anos.

Lambic Clube do Malte
                              A Lambic Hanssens Oude Geuze

A sua benevolente acidez desperta surpresa aos desavisados, estamos falando de Lambic, Gueuze, Flanders Red Ale, exemplares que não tem fruta para amaciar no palato. Temos também nas cervejas Sour do velho mundo a contribuição alemã em cervejas ácidas, como a Berliner Weiss e a Goze. Apesar de ambos serem estilos históricos, recentemente voltaram a ocupar seu espaço no mercado alemão e mundial.

Catharina Sour, a cerveja Sour brasileira

Aqui no Brasil temos diversas cervejarias reproduzindo estes estilos e até mesmo criando sua própria micro flora de organismos para fermentação. Duas marcas que estão a mais tempo desbravando estas complexas cervejas ácidas do Velho Mundo são: Cozalinda e a Zalaz. Hoje temos outras também fazendo esta lição de casa. 

Catharina Sour Clube do Malte
                    A Cerveja Hoffen Bier Catharina Sour Framboesa

E as do Novo Mundo já temos inúmeros exemplares sendo reproduzidos por aqui, a exemplo da Catharina Sour, bastante produzida no estado de Santa Catarina, com destaques para algumas cervejarias: Lohn, Liffey Pub, Blumenau, entre outras. Algumas cervejarias utilizam o estilo Berliner Weiss como base de suas receitas, indiferente do nome, nós consumidores é que ganhamos cada vez mais cervejas no mercado.

O futuro do mercado para as cervejas Sour

Levando isso em conta, observamos que temos um mercado extremamente promissor e crescente no Brasil de cervejas do estilo Sour. Acredito muito no poder refrescante deste estilo para nosso clima quente, elas combinam muito com praia, são cervejas possíveis de fazer ótimos drinks, tem atraído pessoas que não gostavam de outras cervejas e ainda existe a questão histórica, o que daria boas horas de conversa. 

E você, já degustou uma Sour? Tem uma preferida? Velho Mundo ou Novo Mundo? Não importa qual for a escolha, importante é estarmos sempre com uma bela cerveja na mão e brindar este ano que está apenas começando, um brinde.

Ficou com vontade de uma Sour? Entre aqui e encontre essas delicias refrescantes no nosso site!

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Escrito por Paulo Feijão

Sommelier de cervejas, mestre em estilos, jurado em concursos cervejeiros e gerente de vendas da cervejaria St. Patrick’s.