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4 harmonizações com cervejas da escola americana

Chegamos ao último artigo sobre harmonização de comidas com as escolas cervejeiras ao redor do mundo (série que começamos em edições anteriores). Hoje faremos a harmonização com cervejas da Escola Americana.

Mas o que podemos falar sobre a Escola Americana? Esta é uma escola que, sobretudo, propõe uma releitura de cervejas clássicas de todas as demais escolas cervejeiras no mundo. Os americanos têm sua própria versão de Weizenbier (da escola Alemã), sua própria versão de Witbier (da escola Belga), até mesmo sua própria versão de IPAs e Pale Ales. São conhecidos também, e principalmente, pelos “exageros” na carga de lupulagem.

Se pensarmos em uma India Pale Ale inglesa, estamos falando de IBU (medida de amargor) entre 40 e 60, enquanto sua versão americana possui entre 40 e 70. Inclusive, uma APA (American Pale Ale), no que diz respeito à amargor, pode ser um tanto mais amarga que a IPA inglesa.

Os lúpulos americanos também possuem características bem singulares. Em sua grande maioria, eles são frutados, remetendo bastante a frutas cítricas (maracujá costuma ser predominante) e tropicais, lembrando manga, abacaxi e melão.

Há o hábito ainda de adicionar uma carga extra de lúpulos nas cervejas da Escola Americana por meio de Dry Hop, tendo como objetivo transformar a cerveja num bouquet aromático sem igual.

Hoje, vamos harmonizar as cervejas mais clássicas da terrinha do Tio Sam com comidas variadas e fáceis de encontrar, ao som de JUMP, do Van Halen, pra você se divertir com um maravilhoso Pint na mão neste carnaval.

4 harmonizações com cervejas da escola americana

American Pale Ale:

A versão americana da clássica Pale Ale inglesa costuma servir como escalada, no que diz respeito ao amargor, pra quem quer dizer por aí que é hop head. Com um amargor que varia entre 30 e 50 de IBU (e geralmente encontra-se mais comumente APAs abaixo dos 40), esse tipo de cerveja é bastante aromática. A maioria dos exemplares desse estilo possui notas de frutas cítricas e/ou tropicais. Harmoniza muito bem com hot dog, tacos e churrasco.

Exemplo: Roleta Russa APA

American IPA:

Muito parecida com a APA, difere-se principalmente em seu amargor que varia entre 40 e 70 de IBU. Aqui, quanto mais amarga, mais adorada por seus fãs, haja vista sua variante Double, com amargor entre 70 e 120 de IBU. Detalhe: o corpo humano só percebe até 100 de amargor.

É extremamente aromática, afinal de contas essas cervejas recebem uma carga a mais de lúpulo de aroma no processo de Dry Hop. Gosto de harmonizar cervejas amargas com comidas untuosas, afinal o amargor ajuda a equilibrar a untuosidade, provocando a mais uma garfada. Harmonizaremos com uma bela pizza de bacon, hambúrguer artesanal e uma saborosa feijoada.

Exemplo: El Perro Infernal

American Lager:

cervejas da escola americana

As cervejas mais populares nas Américas são, na verdade, uma versão da famosíssima cerveja German Pils (conhecida como Pilsen). Aqui, não encontramos uma lupulagem tão carregada. Algo em torno de 8 a 18 de IBU.

Costumam ser menos aromáticas, apresentando aroma de malte baixo mas perceptível e pouca presença de ésteres de levedura, podendo ter algum floral de lúpulo. Cerveja de drinkability altíssimo e encontrada em qualquer lugar. Harmoniza bem com frutos do mar, aquele caranguejinho ou camarão na beira da praia e batata frita.

Exemplo: Partido Alto

American Wheat:

cervejas da escola americana

Esta é a cerveja americana de trigo, bastante próxima da alemã Weizenbier ou até mesmo de sua parente belga, a Witbier. Aqui, diferente de ésteres de levedura que remetem a banana e cravo ou adição de algum outro ingrediente da receita (casca de laranja e semente de coentro), nós temos aroma e amargor de lúpulo mesmo.

Os americanos são apaixonados por lúpulo e aqui não seria diferente. Também podemos harmonizar com comidas mais delicadas, como salada Ceasar, salmão grelhado e bolinho de bacalhau.

Exemplo: Wonderland Summer Glory

Agora que você já sabe um pouco mais sobre as escolas cervejeiras e suas harmonizações, decida-se por viajar e fazer o seu tour cervejeiro. Só não esqueça de nos mandar as fotos!

Cheers!

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Escrito por Carlos Henrique Kruschewsky

Psicólogo, psicanalista, presidente do Dragornia Moto Club, Beer Sommelier, Homebrewer e Sócio da Dragornia Cervejaria.

Escritor

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