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Meu destino cervejeiro: Lendário Kulminator – O melhor de Antuérpia

Antuérpia, a segunda maior cidade belga, atrás apenas de Bruxelas, é uma ótima base para quem quer visitar algumas maravilhas cervejeiras como a fábrica da Duvel, De Koninck e Carolus, ou os mosteiros da La Trappe, Achel e Westmalle. Mas não é só isso. Nesta cosmopolita cidade fica o lendário KulminatorEu e minha esposa, chegamos em Antuérpia no sábado à noite e eu só conseguia pensar no que me aguardava no Kulminator, o último destino cervejeiro antes do retorno para o Brasil com visita programada apenas para a segunda-feira.

Até lá o planejamento era tipicamente turístico: visitas às praças, museus e belas igrejas. E assim fizemos. Iniciamos domingo de manhã logo cedo e passamos o dia percorrendo a cidade visitando os pontos turísticos.

Porém, trata-se da Bélgica e lá um roteiro tipicamente turístico sempre envolve magníficas cervejas e gratas surpresas. Quando chegamos em nosso último ponto turístico – a praça principal da cidade – fomos surpreendidos por um microfestival de cervejas.

Embora o espaço fosse pequeno e bem no centro da praça, haviam stands de diversas cervejarias, como Duvel, La Trappe, Delirium, Achouffe e Carolus! Ufa, Bélgica é mesmo um paraíso cervejeiro. O ingresso dava direito a uma taça e assim pude degustar todas as delícias do festival. Por alguns momentos quase esqueci o Kulminator.

Bar ou museu?

Segunda chegou. Turistamos mais um pouco e no meio da tarde, tão logo o Kulminator abriu, lá estava eu. Ele é um bar que não é bem um bar. Fica na região central de Antuérpia e ao entrar a impressão que tive é que estava entrando em um museu de cervejas misturado com a casa de campo dos avós.

Havia itens antigos por todos os lados. A carta de cervejas era um livro enorme bem no centro. Muita madeira e penduricalhos espalhados pelos cantos. Nos aconchegamos em uma mesa grande, em meio aos vários objetos que deixavam a dúvida se eram decoração ou simplesmente foram esquecidos ali.

O estabelecimento é comandado por um casal, já com muita idade, de amantes de cervejas. Não há garçons: todo o serviço é feito por eles. A senhora, sempre muito atenciosa, mas no seu tempo, e o senhor sempre andando de um lado a outro, balbuciando algumas palavras inaudíveis. 

Viagem cervejeira no tempo

Apesar disso tudo, o que mais chamou atenção no Kulminator é a gigantesca carta de cervejas com rótulos antigos de verdade. Poderia tomar, por exemplo, uma Chimay feita em 1985, ano em que nasci. Ou, talvez, uma Orval de 2008. Quem sabe uma La Trappe de 2010? Pannepot Vintage de 2005? Uma Oude Geuze Boon de 2012? Tinha tudo isso e muito mais.

O casal cervejeiro dono do bar realmente fez um ótimo trabalho de acumular diversas delícias durante anos e tudo que você tem que fazer para tomar os tesouros, além de abrir o bolso, é ganhar a confiança dos velhinhos. 

Como era uma segunda-feira, o bar não estava cheio e facilmente tivemos uma conversa agradável com a matriarca da casa. Apesar de tantas opções na carta, estava desde o início decidido a fazer uma degustação vertical da Chimay Bleue (Belgian Dark Strong Ale – 9%), muito famosa no Kulminator.

Fiz a solicitação para nossa nova amiga. Ela foi para atrás do bar e retirou 03 garrafas de dentro de uma caixa, que estava lá em temperatura ambiente: uma Chimay de 2015, uma de 2005 e uma de 1995! Incrível como a cerveja envelheceu bem. A experiência de tomar a mesma cerveja com guarda de 10 e 20 anos é simplesmente indescritível. É mesmo muito difícil chamar o Kulminator de bar.

Gostinho de quero mais

Fiquei todo o tempo que tínhamos disponível degustando as minhas trapistas com muita calma e atenção, afinal eram meus últimos momentos belgas. Voltamos para o hotel para fazer as malas da viagem de retorno.

Enquanto embrulhava taças e acomodava as garrafas em meio às roupas, me dei conta que estava realizado, mas, ao mesmo tempo, com o sentimento de quero mais. Há boatos de que o Kulminator está com os dias contados e tem previsão de fechamento no segundo semestre do ano que vem. Já estou juntando as moedinhas para ter uma última degustação vertical lá dentro. 

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Escrito por Enzo Molinari

Administrador de empresas e amante da cultura cervejeira. Homebrewer, BJCP Provisional Judge e beer sommelier.

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