in

Relatos de como um boleiro virou cervejeiro

Assim como uma enorme quantidade de meninos e meninas espalhados pelo Brasil, o meu sonho de criança e de adolescência era ser jogador de futebol.

Os meus planos de ser atleta profissional não deram muito certo (#chateado), mas não posso reclamar da trajetória que venho traçando. Principalmente pelo fato de estar trabalhando com algo que realmente gosto: cerveja!

Dando continuidade aos nossos relatos de vida relacionados ao universo cervejeiro (se você ainda não leu as aventuras da Fer Barzenski, leia agora!), hoje vou contar um pouco de como passei de aspirante a boleiro para um entusiasta da cerveja.

“Apita o árbitro e rola a bola…”

Filho de peixe, peixinho é — já diz o ditado. Meu pai foi jogador amador de futsal durante muitos anos, então posso dizer que nasci e meus primeiros passos foram em quadras de futebol de salão no interior do Paraná.

Ainda mulecote, lá com meus 2 ou 3 anos, dei meus primeiros chutes no campinho perto de casa, que tinha mais terra do que grama. A paixão pelo esporte era inevitável: desde que me conheço por gente acompanho futebol e gosto de correr atrás da pelota.

Já um pouco maior, minha família se mudou para a capital do estado, Curitiba. Morando em uma cidade maior e tendo uma consciência mais madura de acordo com a idade, o sonho de se tornar atleta profissional nasceu.

Captura de um domínio de bola perfeito
Como vocês podem observar, a resolução de fotos em 2003 não era das melhores

Ao longo dos anos, treinei nas categorias de base de vários times e em diferentes modalidades. Comecei no futsal (orgulho pro pai!), passei pelos campos de grama sintética e até me aventurei nos gramados de verdade. Mas a saga de virar um Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho ou Kaká da vida (Neymar não sabia sequer ficar de pé nessa época) não é nada fácil.

Peneira vai, peneira vem… Os anos iam passando e a linha de corte de ter possibilidade de entrar num clube grande acontece cedo. Já no ensino médio, tive que aliar estudos, treinos e trabalho em um estágio.

Até que o dia de uma decisão, dentro e fora das quatro linhas, finalmente chegou: ou continuava treinando e corria atrás do mesmo sonho de outros milhões, ou mantinha meu emprego e começava a direcionar a minha carreira. Bom, acho que você pode deduzir qual foi a minha escolha!

Trocando a pelota pelo copo

Não vou mentir, é triste ter que largar para trás um sonho de tantos anos. Mas a vida é assim, bola pra frente! Segui estudando, me formei na faculdade e desenvolvi minha carreira com a produção de conteúdo. Contudo, o futebol sempre esteve presente, seja assistindo pela TV ou aplicando alguns “dibres” e gols pelas quadras da cidade.

O esporte bretão me rendeu muita coisa: amigos, muitas risadas, algumas dores (já foram contabilizadas 3 cirurgias no joelho esquerdo) e uma nova paixão, a cerveja. A ligação entre futebol e o “suco de cevada” é cultural e muito forte no Brasil. Uma pelada não é a mesma coisa sem aquela cervejinha pra reidratar!

Jogando milhares de partidas ao longo dessa carreira amadora, o gosto pela bebida só cresceu. Até os meus 25 anos, mais ou menos, consumia apenas os rótulos mainstream, aqueles que encontrava no mercado mesmo. Mas um dia me deparei com uma Weizenbier e resolvi experimentar.

Garden da Baden Baden em Campos do Jordão
Registro da visita à Baden Baden em Campos do Jordão (SP)

Era o primeiro passo para um caminho sem volta, e sendo cervejeiro você com certeza já ouviu essa frase. Mas o pior é que ela é verdadeira, pelo menos para mim foi. Dali comecei a explorar o mundo das cervejas artesanais, transitando por Witbiers, Red Ales, APAs, IPAs, Porters, Stouts e o que pintar pela frente.

Uma das coisas que mais me encanta no universo cervejeiro é exatamente isso: poder experimentar aromas, paladares e sabores completamente distintos e, muitas vezes, inusitados. Se você trombar comigo num bar ou loja de cerveja, com certeza vai me ver parado olhando pro taplist ou geladeira por alguns bons minutos. Eu vou estar procurando algum rótulo que ainda não degustei ou que ofereça algo para desafiar meu paladar!

Mergulhando na panela

Mais tarde comecei a pesquisar sobre como é o processo produtivo (inclusive tenho 2 produções no currículo cervejeiro, uma Weiss e uma Red), comprei alguns livros e fiz um curso de Sommelier.

E esta história vem parar neste texto: hoje trabalho com a produção de conteúdo no Clube do Malte, tanto para o blog quanto para a revista e o app (tem novidade saindo do forno, acompanhe a gente).

Todos os dias busco explorar um pouco mais o mundo da cerveja e ajudar a equipe de conteúdo a trazer pra vocês novidades, curiosidades, receitas, harmonizações e tudo mais que envolver a nossa amada cerveja. Espero que esteja aproveitando nossas publicações. Cheers!

Deixe uma resposta

Escrito por Fernando D'Aquino

Produtor de conteúdo apaixonado por tecnologia, games, esportes e, principalmente, cerveja de qualidade!

Escritor

Receita: massa de pizza com cerveja IPA

Cerveja sem carboidrato? Isso já é realidade no Brasil!