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Festbier

Origem:
Alemanha

Data:
1970

Embora a cerveja tenha sido usada como fonte de nutrientes durante muitos séculos, principalmente em tempos de escassez de alimentos e que não existia tratamento de água, a cerveja há muitos anos está mais ligada a momentos de celebração e diversão.

Essa relação é tão próxima que surgiram estilos de cervejas essencialmente pensados para festividades. Uma dessas categorias é a Festbier, também conhecida como Wiesn, ela é uma Lager alemã que busca o equilíbrio entre aromas e sabores maltados e algumas características lupuladas. A ideia é que seja uma cerveja agradável para se beber em grandes quantidades.

Resumidamente, podemos considerar a Festbier como uma variação da Märzen, cerveja produzida em março (sim, o nome faz referência ao mês de março) e que permanecia em maturação durante todo o verão alemão.

Essa prática não era bem uma escolha dos cervejeiros. Lá pelo início do século XVI, uma lei instaurada na Baviera, região que hoje inclui Munique, limitava a produção cervejeira entre os dias 29 de setembro e 23 de abril.

Como o controle de temperatura era precário, esse era um período com temperaturas mais amenas e que permitia a fabricação de cervejas com melhor qualidade para os insumos normalmente adotados. Dessa forma, era em março que as cervejarias corriam para fazer suas últimas brassagens daquela “temporada”.

De mãos dadas com a Oktoberfest

A Märzen levava 6 meses para ficar pronta, coincidindo com a realização da Oktoberfest, que hoje é um dos maiores festivais cervejeiros do mundo. Inclusive, esse estilo fez parte do casamento entre o príncipe Ludwig von Bayern e a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen em 1810.
A festança durou uma semana e a nobreza resolveu repetir a festividade todos os anos. Grosso modo, foi assim que surgiu a Oktoberfest. E a Märzen foi uma das cervejas mais apreciadas do evento, se tornando figurinha repetida nas edições seguintes e até passou a ser chamada de Oktoberfestbier.
Atualmente, o termo Oktoberfestbier possui denominação de origem protegida (DOP), ou seja, apenas cervejarias da região de Munique podem dizer “comercialmente” que produzem uma legítima cerveja desse estilo.
Mas esse tipo de cerveja tem um “problema”: é uma bebida mais encorpada, com teor alcoólico um pouco mais alto. Com isso, ela não era tão fácil de se beber. Foi então que as cervejarias e os organizadores do evento tiveram a ideia de adaptar o tradicional estilo da Oktober
A pioneira nessa movimentação foi a Paulaner nos anos 70, e o resultado foi exatamente a Festbier. O estilo caiu no gosto dos alemães e turistas que passavam pela Oktoberfest e desde 1990 é a principal cerveja do festival.

ALTA DRINKABILITY

Ao abrir uma Festbier, você pode esperar por uma cerveja de coloração amarela e dourada, de aspecto cristalino e brilhante com espuma branca e marfim de persistência alta. No aroma o destaque deve ficar com aspectos maltados, como notas de pão tostado e dulçor aparente.

Essas características se repetem no sabor. Ao dar um gole em uma Festbier, a percepção inicial normalmente é o dulçor trazido pelo malte, complementada por notas tostadas em segundo plano.

Por sua vez, os lúpulos entregam suaves notas florais, herbais e condimentadas. Você vai encontrar amargor médio a médio-baixo (de 18 a 25 IBUs), mas ele não deve sobressair ao que o malte entrega, que no fim das contas é quem manda nesse estilo.

O corpo médio e carbonatação média são o fechamento de uma combinação para que as Festbiers tenham uma sensação leve ao serem bebidas. Definitivamente essa é uma cerveja atenuada e fresca, combinação que a torna uma bebida de alta drinkability.

Mas cuidado pra não ir com muita sede ao copo, pois o teor alcoólico não é tão baixo, geralmente vai de 5,8 a 6,3% de ABV. Dois exemplares clássicos do estilo são a Hofbräu Oktoberfestbier e a Paulaner Oktoberfest Wiesn. Mas temos bons exemplos nacionais, como a Heilige Oktoberfest e a Eisenbahn Oktoberfest.

COPO SUGERIDO:
Pint e Caneca

TEMPERATURA IDEAL:
4 a 7°C

Para servir uma Festbier, você não precisa ter maiores cuidados ou preocupações, pois o estilo não demanda nenhuma técnica específica para ser colocada no copo e apreciada. Vale ressaltar apenas que a faixa de temperatura ideal para consumo desse tipo de breja é de 4ºC a 7ºC.

Portanto, pode-se seguir o procedimento básico de serviço de cervejas: incline o copo a cerca de 45ºC para iniciar o despejo do líquido até que ele preencha metade do recipiente, aproximadamente. na sequência, posicione o copo novamente à posição vertical e continue servindo a breja até completá-lo.

Pint

Por não ser uma cerveja de grande complexidade, a Festbier normalmente é servida em recipientes comuns. Um deles é o Pint, que possui formato cilíndrico em toda a sua estrutura, apresentando a boca mais larga do que a base. Dois modelos amplamente difundidos são: o Pint Inglês, de 568ml, e o Pint Americano, de 473ml

Caneca

também chamada de Mug Stain, de formato cilíndrico e robusto contando com alça na lateral para facilitar na hora de segurá-la, podendo ser produzida de diferentes materiais- incluindo cerâmica, metal e vidro (que é o mais adequado para evitar influências no sabor da breja).

Como mencionamos, a Festbier é muito consumida na Oktoberfest, e lá o copo mais adotado é o Mass (que em alemão é grafado como Maß), que nada mais é do que uma enorme caneca de vidro capaz de receber 1 litro de cerveja!
A curiosidade aqui é que a Mass, na verdade, é uma unidade de medida antiga utilizada pelos bávaros para “medir” cerveja. Um Maß era o equivalente a 1,069 litro. Desse termo surgiu a expressão popular Maßkrug, que em tradução literal significa “caneca de cerveja de 1 litro”, sendo posteriormente abreviada para o uso no dia a dia dos alemães.

Carne branca

Batatas
Gratinadas

Quiche

SABORES SUAVES

A Festbier é uma cerveja sem aromas e sabores mais complexos ou que tenham um potencial acentuado sobre outras experiências sensoriais. A grande vantagem desse perfil é que a bebida pode ser harmonizada com uma grande variedade de pratos. Contudo, o principal cuidado é não combiná-la com pratos que possuem sabores muito potentes, pois assim as características da breja passarão despercebidas.
Tendo em mente sua base maltada, com dulçor aparente e leve toque tostado, corpo médio e carbonatação intermediária, pensando em harmonização por complementação, a Festbier cai muito bem com carnes brancas assadas, como frango, peru ou chester. Ainda nesse sentido, carnes suínas assadas também podem proporcionar uma nova experiência ao lado de uma Festbier, bem como pratos suaves e delicados – dentre os quais podemos citar batatas gratinadas, enchiladas, hommus, quiche e lentilha.
Por não possuir alto teor alcoólico ou elevado nível de amargor, a Festbier não atua bem como elemento de harmonização por corte, não sendo a melhor indicação para pratos mais gordurosos ou com sabores potentes, pois não terá grande potencial de “limpar” o palato.
Apesar disso, a Festbier é consumida usualmente com alguns alimentos que possuem essas características, sendo o que chamamos de harmonização cultural – quando uma combinação é tradicionalmente incorporada ao consumo que se sobrepõe às orientações técnicas de harmonização. Em locais tradicionais de consumo deste estilo, a breja é servida com salsichas alemãs, joelho de porco, carne de pato ou marreco e torta de maçã.

Festbier

Impressão Geral:
Uma Lager alemã suave, limpa e clara com um sabor maltado moderadamente forte e um caráter lupulado de pouca expressão. Habilmente equilibrada à intensidade e à drinkability, com uma impressão de paladar e impressão final que estimulam beber. Exibe sabores elegantes de maltes alemães, sem ser demasiadamente pesados ou cheios.
Aroma:
Moderada riqueza maltada, com ênfase em aroma tostado de massa e uma impressão de dulçor. Lúpulo baixo a médio-baixo floral, herbal ou condimentado. Malte não deve ter uma qualidade de tostado profundo, caramelo ou biscoito. Caráter de fermentação limpo de Lager.
Aparência:
Cor amarelo profundo a dourado profundo; não deve ter tons de âmbar. Transparência cristalina. Espuma branca a marfim persistente. A maioria dos exemplares é de cor dourado médio.
Sabor:
Inicialmente um dulçor maltado médio a médio-alto, com um traço de leve tostado, que remete a massa de pão e uma leve impressão de suave dulçor. Amargor médio a médio-baixo, definitivamente maltado no balanço. Bem atenuada e fresca, mas não seca. Sabor de lúpulo médio-baixo a médio, de perfil floral, herbal ou picante. Caráter limpo de fermentação Lager. O sabor é principalmente de malte Pils, mas com toques levemente tostados. O amargor é apenas de apoio ao balanço, que deve dar um final maltado e saboroso.
Sensação de Boca:
Corpo médio, com uma textura suave e um tanto cremosa. Carbonatação média. Intensidade de álcool somente perceptível com leve calor alcoólico, muitas vezes não sentido.

Estatísticas Vitais:

OG: 1.054 – 1.057
FG: 1.010 – 1.012
IBUs: 18 – 25
SRM: 4 – 7
ABV: 5.8 – 6.3%

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